Aspectos Farmacológicos do Guanandi
Estudos etnofarmacológicos revelam o uso da espécie no tratamento de dores, inflamações, diabetes, hipertensão, herpes, reumatismo e distúrbios do trato gastrointestinal (REYES-CHILPA et al., 2006). O exsudato obtido do tronco é empregado na medicina popular como anti-reumático, em tumores e contra úlceras crônicas, mas por ser fortemente irritante e produzir manchas escuras na pele, possui maior aplicação na medicina veterinária (SCHVARTSMAN, 1979; CORRÊA, 1984; RIZZINI, MORS, 1995).
O extrato de C. brasiliense é efetivo contra o vírus HIV-1 (HUERTAREYES et al., 2004a). Piranocumarinas (soulatrolídeo e calanolídeos A e B) isoladas do extrato hexânico, apresentam alta atividade inibitória contra o mesmo vírus e Propriedades citotóxicas. O calanolídeo C possui capacidade inibitória moderada sobre o HIV-1 (HUERTA-REYES et al., 2004b). De acordo com KUSTER e ROCHA (2000), os calanolídeos A e B impedem a replicação do HIV-1 in vitro, provavelmente por inibição da atividade enzimática da DNApolimerase dependente de DNA e da DNA-polimerase dependente de RNA presentes no vírus.
Alguns constituintes identificados das folhas de C. brasiliense possuem atividade contra o parasita Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas (ABE et al., 2004). O extrato bruto de ramos da espécie impede o crescimento de moluscos (GASPAROTTO-JÚNIOR et al., 2005a). Os compostos, ácido brasiliênsico, ácido gálico, epicatequina, ácido protocatéquico, friedelina e 1,5-diidroxixantona, isolados de extratos de vários órgãos de C. brasiliense apresentam atividade antibacteriana (PRETTO et al., 2004).
YASUNAKA et al. (2005) demonstram atividade do extrato dessa espécie frente aos microorganismos Staphylococcus aureus e Escherichia coli. Alguns ácidos cromanônicos isolados de casca de caule possuem atividade contra Bacillus cereus e Staphylococcus epidermidis (COTTIGLIA et al., 2004). O extrato de casca de caule da espécie e a xantona jacareubina, isolada da mesma, são efetivos contra o crescimento do fungo Postia placenta (REYES-CHILPA, JIMENEZ-ESTRADA, ESTRADA-MUÑIZ, 1997).
A fração diclorometano tem efeito gastroprotetor em razão da ação antisecretora, antiúlcera e citoprotetora (SARTORI et al., 1999). REYES-CHILPA etal. (2006) demonstram a ação inibitória de algumas xantonas [6-desoxijacareubina, jacareubina, 1,3,5,6-tetraidroxi-2-(3-hidroxi-3-metilbutil)-xantona, 1-hidroxi-3,5,6-tri-O-acetil-2-(3,3-dimetilalil)-xantona] e cumarinas [mammea A/BA e mammea C/AO] isoladas de C. brasiliense sobre a liberação de ácido estomacal. Estudos revelam a atividade antiespasmódica das espécies C. brasiliense e Cynara scolymus L. (alcachofra), por inibição da contração induzida pela acetilcolina em íleo de cobaias e duodeno de ratos (EMENDORFER et al., 2005).
Algumas cumarinas isoladas de C. brasiliense são consideradas potentes inibidores in vitro de sulfotransferases, enzimas envolvidas no metabolismo de compostos endógenos como esteróides (MESÍA-VELA et al., 2001).
Frações de extrato da espécie e alguns compostos isolados demonstram significativo efeito antinociceptivo (SILVA et al., 2001; ISAIAS et al., 2004).
Algumas brasixantonas identificadas do extrato de caule possuem significativa atividade antineoplásica (ITO et al., 2003).



